Baralho de Ideias

Quem ganhar uma vaza dará início à seguinte.

O declínio da natalidade em Portugal

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O gráfico acima indica o número de nados vivos, em milhares, desde o início do século XX. Assinala-se a relativa estabilização nos 200 mil nascimentos e a progressiva diminuição a partir da década de 1960, culminando nos aproximadamente 100 mil nados vivos que se verificam na actualidade. A figura em questão é frequentemente utilizada para dramatizar o declínio da natalidade em Portugal.

Contundo, esquece-se que os números registados nos primeiros três quartos do século XX correspondem a um estilo de vida em que a sobrevivência da população se encontrava mais ameaçada, no qual a elevada incidência de mortalidade infantil e a reduzida esperança média de vida à nascença eram realidades quotidianas. Ao longo dessas décadas, as mulheres estavam privadas do acesso à educação e ao emprego, estando confinadas à vida doméstica. A maioria das crianças tinha responsabilidades e deveres de adultos, sendo a infância uma etapa de vida existente em apenas algumas famílias privilegiadas. Basicamente, a reprodução e a descendência não eram comportamentos racionalizados.

Uma realidade dura, mas que, estranhamente, continua a estar presente em alguns discursos saudosistas.

About David Cruz

Demógrafo no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

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This entry was posted on 29 Março 2013 by in Sociedade.

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