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Argo: realidade ou ficção? Ou: A vida é demasiado aborrecida para dar um filme

argo

Argo, filme produzido, realizado e interpretado por Ben Affleck, baseia-se numa histórica verídica que aborda as tensões diplomáticas, entre os Estados Unidos da América e o Irão, ocorridas no final da década de 1970. A ação inicia-se com a evasão da embaixada norte-americana no Irão, no qual os ativistas islâmicos exigem a deportação de um ex-governante do país que se encontra exilado nos Estados Unidos. Entretanto, antes de se iniciar uma crise de reféns, seis americanos conseguem escapar, refugiando-se, secretamente, na embaixada do Canadá. A narrativa foca a operacionalização de um plano de resgate, planeado pela CIA, que consiste na atribuição de identidades falsas associadas à produção de um falso filme de ficção científica (Argo), que seria supostamente rodado em território iraniano.

A (verdadeira) longa-metragem, para além de um sucesso de bilheteira, conquistou diversos prémios, incluindo melhor filme dramático nos Globos de Ouro e melhor filme nos Óscares.

Contudo, o filme não é um retrato propriamente fiel dos acontecimentos que se iniciaram em Dezembro de 1979, pois foram, deliberadamente, retirados e adicionados personagens, acontecimentos e contextos. Na realidade, foram cinco os americanos que fugiram do consulado norte-americano, sendo, dispersamente, recebidos em diversas embaixadas de países ocidentais. As maiores discrepâncias entre a realidade e o guião encontram-se nas cenas finais que relatam uma fuga, ao limite, no aeroporto. Os espectadores assistem a uma sequência alucinante de interrogatórios, atrasos, suspeitas e a uma perseguição policial ao avião no momento da descolagem com os americanos a bordo, sendo que, na verdade, o agente da CIA e os seus concidadãos abandonaram o Irão sem qualquer arranhão. Em suma, os acontecimentos reais não tiveram a intensidade retratada no filme. De qualquer modo, a essência da história é verídica: 52 norte-americanos foram mantidos reféns durante 444 dias na embaixada dos E.U.A. em Teerão, sendo executada uma operação de resgate, com uma mãozinha de Hollywood, aos que conseguiram escapar à crise.

Por muito que a realidade possa parecer emocionante, nem sempre acaba por fornecer a estrutura ideal para um filme. Para cativar o interesse dos espectadores é necessário introduzir elementos que produzam incerteza quanto ao desenrolar da narrativa. E, neste âmbito, Argo, de Ben Affleck, cumpriu a sua missão.

About David Cruz

Demógrafo no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

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This entry was posted on 28 Março 2013 by in Cinema.

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