Contabilidade

Regime de Fabrico: Método Directo vs Método Indirecto

Uma empresa que pretenda determinar os custos industriais dos seus produtos e/ou serviços produzidos é necessário adoptar um Método de Apuramento de Custos, que irá depender das características do próprio processo de produção. Podemos identificar 2 Métodos diferentes de Apuramento de Custos:

  1. Método Directo
  2. Método Indirecto

Normalmente, relacionamos o Método Directo com um processo de produção descontínua ou por encomendas e o Método Indirecto associamos a um processo produtivo contínuo ou que funcione por stocks (para constituir armazém de produtos acabados).

Contudo, convém relembrar que na realidade empresarial nem sempre é possível distinguir o processo produtivo entre descontínuo ou contínuo e por isso, poderá haver empresas que utilizem uma combinação destes 2 Métodos para o seu apuramento de custos.

MÉTODO DIRECTO – aplicação prática

1. Caracterização do Método Directo

Fonte: Temas de contabilidade de gestão – Os Custos, os Resultados e a Informação para a Gestão (2008); Livros Horizonte; Vários Autores

2. Contabilização

Informação Adicional: considerando o exemplo acima, temos 2 Ordens de Produção ou Ordens de Fabrico em que uma delas fica concluída (OP A) e segue para Armazém de Produtos Acabados e outra Ordem de Produção (OP B) que ficou em curso no mês e será a Existência Inicial de Produtos em Vias de Fabrico no mês seguinte.

No caso das Ordens de Produção só existe uma saída, ou é Produto Acabado (CIPA) ou é Produto em Curso (EfPVF). Neste Método não podemos ter em simultâneo CIPA e EfPVF.

Legenda:

  • CA – Custos Administrativos
  • CD – Custos de Distribuição ou Comerciais
  • CF – Custos Financeiros
  • CIPA – Custo Industrial do Produto Acabado
  • CIPV – Custo Industrial do Produto Vendido
  • Ei – Existência Inicial
  • Ef – Existência Final
  • GGF – Gastos Gerais de Fabrico
  • MP – Matéria-Prima
  • MOD – Mão-de-Obra Directa
  • OF – Ordem de Fabrico
  • OP – Ordem de Produção
  • RAI – Resultado antes de Imposto

Neste Método é fundamental os responsáveis de fabrica construírem um Mapa de Controlo dos Custos por Ordem de Produção para a qualquer momento da produção saberem os custos já imputados a cada OP:

 Este Mapa consiste em apurar a qualquer altura do mês os custos que já foram imputados às Ordens de Produção. Onde deveremos  preencher com base nos valores do T (contabilização) da respectiva Ordem de Produção (OP), onde:

  • Os custos transitados correspondem às Existências Iniciais da OP
  • Os custos do mês (MP + MOD + GGF) são também retirados da respectiva linha do T da OP
  • A coluna TOTAL corresponde à soma de todos os Custos do Mês (MP + MOD + GGF)
  • No final somando o Custo Total do Mês com os Custos Transitados temos o valor a colocar Em curso OU em Concluídas, de acordo com o T da OP ou informação do exercício. Se a OP já está concluída o custo total deverá ser colocado na coluna de Concluídas que equivale a um CIPA. Se a OP está em curso, o seu custo total deverá ser colocado na coluna de Em Curso que equivale a uma EfPVF.

MÉTODO INDIRECTO – aplicação prática

1. Caracterização do Método Indirecto

Fonte: Temas de contabilidade de gestão – Os Custos, os Resultados e a Informação para a Gestão (2008); Livros Horizonte; Vários Autores

2. Contabilização

Informação Adicional: neste exemplo estamos a imaginar um processo produtivo com 2 fases, ou seja, na FASE I entra as Matérias-primas que sofrem a primeira transformação e o “Semi-Produto” desta fase seguirá para a FASE II se estiver concluída a transformação ou ficará em Ef PVF para ser concluída a transformação no mês seguinte. Na Fase II, sendo a última fase para obtermos o produtos final, se concluirmos a transformação temos o Produto Acabado para transferir para o Armazém.

3. Método das Unidades Equivalentes (MUE)

No Método Indirecto de Apuramento de Custos é utilizado um método específico para a valorização dos produtos em vias de fabrico – Método das Unidades Equivalentes. Este método consiste em determinar a quantidade que se encontra em vias de fabrico e o seu grau de acabamento. Isto porque neste método, pretende-se conhecer a cada mês o que foi produzido efectivamente no período em análise, daí ser essencial saber daquilo que está em vias de fabrico qual o grau que já ficou acabado neste mês e o grau que transitou para ser concluído no mês seguinte.

Mapas Auxiliares para Apuramento dos Custos

1. Pelo Método do FIFO (First In First Out)

2. Pelo Método do CMP (Custo Médio Ponderado)

NOTA: há que relembrar que em qualquer processo de produção poderá haver lugar a perdas. Matéria que abordarei noutro post.

TS

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28 opiniões sobre “Regime de Fabrico: Método Directo vs Método Indirecto”

    1. Olá Raquel,

      vou efectuar um post que explique a Produção Conjunta. Mas de uma forma rápida posso explicar-te que:

      Para os Co-produtos que são os Produtos Principais podem as empresas utilizar 3 métodos para repartir os custos conjuntos:
      1. Pela Quantidade Produzida de cada um dos Produtos Principais;
      2. Pelo Valor de Mercado de cada um dos Produtos Principais;
      3. Pelo Valor de Venda no Ponto de Separação: que resulta ao Valor de Venda de cada um dos produtos deduzir os custos específicos desses produtos.

      Para os Subprodutos os 2 métodos mais comuns são:
      1. Lucro Nulo: que resulta no subproduto ter um Resultado igual a zero. Assim, após conhecermos o Valor de Venda do Subproduto (Qv x pv) o valor do CIPA ou CIPV será igual ao valor das vendas. Neste cenário, o custo de produção (CIPA) do(s) produto(s) principal(is) que deu(ram) origem ao subproduto é reduzido no montante atribuído ao Subproduto (Qv x pv).

      2. Custo Nulo: em que se assume que o custo de produção do subproduto é suportado pelo(s) produto(s) principal(is) que lhe deu(ram) origem. Neste cenário, os Subprodutos apresentam Resultado Bruto = ao Valor das Vendas.

      Espero ter ajudado!

    1. Olá David!

      Tudo é divertido! É só preciso entrar no espírito da coisa! 🙂

      Mas claro que ao vivo e a cores ganha outra dimensão! 😉

    1. A produção em vias de fabrico resultada de se ter iniciado uma produção e no período em análise a mesma não ter sido concluída, logo calcula-se tendo por base a quantidade de custos industriais (MP + MOD + GGF) imputados a essa produção.

      Cumps,
      TS

  1. OLá boa tarde, queria deixar a minha duvidas aqui é que peço vos a vossa ideias sobre o custo direto e indireto, por sistema de apuramento de custo das empresas e qual o melhor método de entre custo direto e indireto que as empresas vão aplicar mais?

    1. Olá Galso,

      O método de custeio Directo e Indirecto varia consoante o tipo de produção e não há melhor ou pior. A empresa deve verificar se trabalha tipicamente por encomenda ou produção para stocks e adoptar o método indicado. Há por vezes empresas em que em determinadas fases se aplica um e noutras outro – Método Misto.

      Se quiser ideias sugiro que leia o livro Contabilidade de Gestão- Estratégia de Custos e de Resultados de Domingos Ferreira, Carlos Caldeira, Célia Vicente, João Vieira, João Asseiceiro.

      Cumps,
      TS

  2. Boa tarde, Srª. Professora. Estou sem palavras para lhe agradecer. Esta matéria é pedida num trabalho, mas as fontes são escassas. E a forma como a senhora trata a matéria por tu e consegue facilmente expressar-se nota-se-lhe o gosto pela partilha e a compreensão que tem da matéria. Bem haja e continue a partilhar, por favor! ❤

  3. Ola Dr. Tânia saraiva
    de que forma podemos imputar os gastos gerais de fabrico, tendo em conta a quota teórica o orçamentado, consigo com facilidades trabalhar a quota real, tenho encontrado dificuldade na q. teórica.

    From Angola

    1. Olá Bismarck,

      Uma quota teórica ou padrão (orçamentado) consiste em utilizar um critério pré-definido e não valores reais. Ou seja, recorre a valores históricos ou padrões definidos à priori e imputa sempre o GGF com base nesse critério.O principal problema destes critérios é a facilidade com que podem ficar desajustados da realidade se não forem actualizados regularmente.

      Cumps,
      TS

  4. Olá Boa noite,
    Estou a fazer um exercício relacionado com o metodo da unidade equivalente, mas nao me é dado o valor do inventário final da produção em vias de fabrico.
    As unicas informações que tenho sao:
    – havia produção em curso no final do mês e que esta já tinha sido incorporada em 75% do custo total correspondente à matéria-prima;
    – GGF: 60.200,00€
    – MOD: 22.500,00€
    – MP: 116.000,00€
    – o inventário inicial de matéria-prima e material de embalagem era nulo
    Pretende-se saber o custo unitário de cada unidade equivalente que deve ser considerado para efeitos de valorização do inventário final de produtos e trabalhos em curso?

    Esperarei resposta. Muito obrigado

    1. Olá Inácio,

      deve estar em falta alguma informação. O MUE aplica-se em produções que seguem o método indirecto e é aplicado para apurar os custos em determinado ponto da produção. Logo com a informação acima apresentada apenas pode assumir que havia produção em curso no início do período e que 75% dos custos já tinham sido incorporados e não há produtos em vias de fabrico no final. mas depois para uma aplicação correcta aplicação do método tem de ter informação sobre o critério das MP (FIFO ou CMP). Falta aqui alguns dados para se calcular o valor do inventário final.

  5. Boa noite, em primeiro lugar obrigado pela compreensão, em segundo, nao me expliquei bem.
    O enunciado era o seguinte(relativamente aos inventários):
    Considere ainda a seguinte informação apurada para o mês de maio de 201x:
    10. Inventário inicial de produtos acabados (caixas de 20 pacotes de pastilhas)
    Quantidade
    Valor
    1.750 Cx.
    4.567,50€
    11. Produção (caixas de 20 pacotes de pastilhas)
    Quantidade 83.832 Cx.
    12. Inventário final de produtos acabados (caixas de 20 pacotes de pastilhas)
    Quantidade 1.500 Cx.
    13. Inventário inicial de embalagens de cartão
    Quantidade 3.000 Emb.
    Valor 240,00€
    14. Compras de embalagens de cartão
    Quantidade
    Valor
    7.500 Emb.
    562,50€
    15. Inventário final de embalagens de cartão
    Quantidade
    Valor
    3.514 Emb.
    263,55€
    sabíamos ainda (relativamente ao mes de maio) que :
    Custo Industrial da Produção Acabada 217.963,20€
    – Matérias-primas e material de embalagem 123.269,28€
    – Mão-de-Obra Direta 27.720,00€
    – Gastos Gerais de Fabrico 66.973,92€
    Produção (caixas de 20 pacotes de pastilhas) 83.832
    Custo de produção unitário 2,60000€
    Sabendo isto, pergunta-nos:
    a) Admita que no final do mês de maio de 201x havia produção em curso de fabrico. Admita
    também que essa produção tinha já incorporado 75% do custo total correspondente à
    matéria-prima e material de embalagem. Admita ainda que o inventário inicial de matériaprima
    e material de embalagem era nulo. Qual o custo unitário de cada unidade equivalente
    que deve ser considerado para efeitos de valorização do inventário final de produtos e
    trabalhos em curso? Apresente todos os cálculos efetuados e justifique adequadamente o
    procedimento.

    Obrigado pela compreensão, cumprimentos

    1. Olá Inácio,
      sendo que isto é um trabalho para entrega na sua faculdade posso dar-lhe orientações mas não irei resolve-lo por si.

  6. Boa noite
    Ando a tirar o curso de contabilidade e estou no segundo ano e estou a realizar um trabalho que enquadra os custos mas tenho que desenvolver sobre o método misto e nunca encontro grande informação se pudesse ajudar ficaria imensamente grata
    obrigada pela compreensão cumprimentos

    1. Olá Cláudia,

      o método misto é um método que conjuga no seu sistema parte do método Directo e outra parte Indirecto. Ou seja, no fundo deverá avaliar até que parte do processo de produção se aplica um e a partir do qual passa a outro. Depois os custos serão repartidos e apurados de acordo com os 2 métodos. Se precisar de ajuda pode sempre enviar-me um email.

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