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Destinos remotos para viajantes solitários

Cansado do turismo de massas? Farto de não conseguir 50 centímetros de diâmetro livres em redor da sua toalha de praia? Sente necessidade de viajar para um local tranquilo para reflectir sobre a sua vida? Aqui ficam cinco sugestões turísticas:

Tristão da Cunha

Provavelmente, o lugar habitado mais isolado e remoto do planeta. A ilha encontra-se localizada no Sul do Oceano Atlântico, a 2.800 quilómetros a Oeste da Cidade do Cabo. Território insular com denominação familiar da língua portuguesa, pois o navegador português, que a descobriu no início do século XVI, atribuiu-lhe o seu próprio nome. Os menos de 300 habitantes de Tristão da Cunha concentram-se na vila de Edimburgo dos Sete Mares. Este território britânico ultramarino, devido à orografia bastante acidentada, não possui qualquer equipamento aeroportuário, existindo somente condições para a presença de um pequeno porto pesqueiro. Os serviços limitam-se ao essencial: hospital, posto de correio, museu, café, bar e piscina. Não existem unidades hoteleiras, sendo que para os turistas apenas se encontram disponíveis 12 camas em barcos de pesca. Por isso, apresse-se a marcar a sua reserva.

Longyearbyen

Localiza-se no arquipélago de Svalbard, a seiscentos quilómetros do território continental norueguês, sendo a cidade do planeta mais próxima do Pólo Norte. Devido à posição latitudinal, o ano divide-se entre o sol da meia-noite e a noite ártica. Neste aglomerado populacional, com aproximadamente dois mil habitantes, encontra-se o Centro Universitário em Svalbard (UNIS) que se dedica ao estudo do Ártico, nomeadamente nas áreas da geofísica, biologia e geologia. Ao contrário do destino anterior, Longyearbyen está mais vocacionado para receber turistas. Há um aeroporto a dez minutos da cidade, várias unidades hoteleiras, visitas guiadas às paisagens dos Fiordes e a possibilidade de conduzir, sem licença, uma moto de neve.

Prypiat

Cidade-fantasma localizada no Norte da Ucrânia, a cem quilómetros de Kiev e próxima à central nuclear de Chernobyl. Fundada em 1970 para albergar os trabalhadores da central, alcançou os 50 mil habitantes  antes do acidente nuclear, ocorrido em 1986, embora estivesse preparada para receber 80 mil pessoas. A cidade foi evacuada devido à perigosidade dos níveis radioactivos que resultaram do cataclismo. De resto, prevê-se que sejam necessários nove séculos para que o local volte a reunir condições de segurança para ser habitado. Prypiat encontra-se facilmente acessível a qualquer visitante, não sendo aconselhável, por motivos de saúde, a permanência no local por um período prolongado.

Hashima

Ilha japonesa, localizada a quinze quilómetros do largo de Nagasaki, que reflecte o crescimento e o declínio da importância do carvão enquanto fonte de energia. No final do século XIX, a Mitsubishi adquiriu a ilha para suportar a extracção dessa rocha nas minas submarinas situadas nas imediações. Nesse sentido, foram construídos edifícios de betão de largas proporções para alojar os trabalhadores. No final da década de 1950 do século XX, a população ultrapassou os 5 mil habitantes, perfazendo uma densidade populacional de 83.500 pessoas por quilómetro quadrado (Lisboa tem 6.500). A afirmação económica do petróleo acabou por ditar o encerramento das minas de Hashima em 1974, conduzindo à evacuação total da ilha. Actualmente, o local desperta interesse turístico e cultural, devido à imponência dos edifícios e ao ambiente desolador.

Corvo

Por último, um destino mais familiar e financeiramente acessível considerando a proximidade geográfica. Trata-se do local habitado mais isolado de Portugal. A ilha situa-se no grupo ocidental do Arquipélago dos Açores, estando a população, devido às condições orográficas, concentrada na Vila do Corvo. Segundo o recenseamento de 2011 residem no Corvo cerca de 430 pessoas, embora na segunda metade do século XIX tivessem vivido perto de 900 habitantes. O declínio populacional deveu-se às fortíssimas vagas emigratórias, nomeadamente para os Estados Unidos da América. A ilha tem um hotel e vários quartos e casas para arrendar temporariamente.

(Imagem de destaque: FreeDigitalPhotos.net; Restantes fotos: Google Earth Panoramio)

About David Cruz

Demógrafo no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

2 comments on “Destinos remotos para viajantes solitários

  1. Luciana
    3 Novembro 2014

    Muito obrigada pelas informações redigidas de forma tão interessante. Dá vontade de viajar para um lugar assim, numa viagem de descobrimento.

  2. Luciana
    3 Novembro 2014

    Só não para Prypiat, é claro!

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This entry was posted on 15 Agosto 2012 by in Viagens and tagged , , , , .

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