Baralho de Ideias

Quem ganhar uma vaza dará início à seguinte.

Quem é mais feliz: quem tem ou não tem filhos?


A questão é aparentemente subjectiva e apropriada para uma coluna da revista Maria. Contudo, a felicidade reprodutiva constitui uma das principais áreas da investigação demográfica na actualidade, devido ao reconhecimento da influência do bem-estar na definição de escolhas no âmbito da natalidade/fecundidade.

Um estudo sustentado em inquéritos, efectuados entre 1981 e 2005, concluiu que, na faixa de idades entre os 20 e os 39 anos, as pessoas com filhos são menos felizes do as que não têm, embora esta condição se inverta a partir dos 40 anos. A constatação em questão foi particularmente validada para os países da Europa do Sul (onde se inclui Portugal). Os resultados corroboram o esforço financeiro e afectivo presente nos primeiros anos de educação das crianças, mas, também, o apoio familiar que é retribuído aos pais quando os filhos atingem a maturidade e a emancipação. Uma outra investigação acompanhou os percursos de vida de britânicos e alemães, antes e depois da transição para a parentalidade, concluindo que a descendência em idades menos precoces e mais tardias está associada a maiores níveis de felicidade.

A bipolarização da questão inicial não é propriamente justa, pois as variáveis que concorrem para a felicidade são incalculáveis. No entanto, os estudos apontam para a importância do “calendário” na opção de ter filhos.

About David Cruz

Demógrafo no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

2 comments on “Quem é mais feliz: quem tem ou não tem filhos?

  1. Esparvoamentos
    25 Maio 2012

    Não me parece de todo que esta questão deva ser tratada como quem olha para uma página da revista Maria, no entanto compreendo a ironia.
    Aqui a questão é que em qualquer um dos estudos que se façam sejam eles possíveis através do uso de questionários ou de entrevistas, a tendência a responder o que é socialmente aceite recai sobre cada um de nós, e neste sentido os resultados acabam sempre por não corresponder 100% à realidade, e por devemos ter em conta que a felicidade bem como a saúde não são na minha perspectiva medíveis ou comparáveis entre os diferentes indivíduos.
    No entanto parece-me que os resultados apresentados são bastante válidos e de certa forma socialmente é certo e sabido que a descendência familiar é algo que deixa não só os país mas toda a família feliz, agora se isso deixa o casal mais feliz do que a sua decisão de não ter filhos, isso já é outra questão!

    • F. David Cruz
      25 Maio 2012

      Esparvoamentos,
      Agradeço o seu comentário bastante pertinente. De facto, a mensuração da felicidade/bem-estar é um exercício subjetivo. Como refere, a perspetiva social acaba por prevalecer sobre a visão pessoal. Esta situação ocorre, em especial, nos estudos que procuram medir as preferências reprodutivas das famílias, acabando por se destacar a “norma dos dois filhos” que reflete um ideal aceite pela sociedade. Neste âmbito, têm sido desenvolvidas técnicas que procuram determinar as verdadeiras preferências individuais (questionando, por exemplo, preferências alternativas), demonstrando que as pessoas desejam, na verdade, ter menos filhos. Dos estudos que relacionam felicidade e fecundidade apontados no artigo, o primeiro, pelo menos (confesso que ainda não prestei muita atenção ao segundo), não teve esta preocupação, apesar dos dados sobre felicidade terem sido relativizados consoante o ano em que foi realizado o inquérito e o país do inquirido.

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This entry was posted on 20 Maio 2012 by in Sociedade.

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