Baralho de Ideias

Quem ganhar uma vaza dará início à seguinte.

Portugal: o 15.º melhor país para uma mulher ser mãe…

A conclusão é do relatório State of the World’s Mothers 2012, elaborado pela organização internacional humanitária Save The Children, que avaliou dimensões relativas à saúde feminina, ao estatuto político e económico das mulheres, assim como indicadores referentes ao bem-estar infantil. Portugal somente foi superado por países com elevados índices de desenvolvimento humano, nomeadamente por Estados do Norte da Europa, ficando, inclusive, à frente dos Estados Unidos da América (25º do ranking).

Os resultados, aparentemente, satisfatórios, ocultam a realidade da natalidade portuguesa: uma das fecundidades mais baixas da Europa e do Mundo. Em 2010 (dados mais recentes), nasceram, em média, 1.4 crianças por mulher, sendo que, desde o início da década de 1980, não se renovam gerações em território nacional. A dificuldade em conciliar a crescente presença feminina no mercado de trabalho com a vida familiar em função da desvalorização do papel das mulheres pela sociedade, as incertezas económicas e o desejo de assegurar um determinado nível de vida, a emergência de um sentimento de resistência face a compromissos irreversíveis, constituíram as principais causas do declínio da fecundidade em Portugal.

A consequência directa deste fenómeno é o envelhecimento demográfico, que ao acentuar o desequilíbrio entre população activa/contribuintes e população inactiva/pensionistas, tem contribuído para a insustentabilidade das contas da segurança social. Sendo esta questão um problema de abordagem política do que propriamente um infortúnio demográfico, o aumento da proporção de idosos não deve ser encarado como um retrocesso civilizacional, mas enquanto uma característica inerente ao desenvolvimento.

A verdadeira problemática encontra-se nas expectativas reprodutivas de vários indivíduos/casais que são defraudadas. Apesar da delimitação voluntária da descendência assumir uma importância crescente, continua a prevalecer, na sociedade portuguesa, a norma dos dois filhos como ideal de reprodução.

Deste modo, embora o ranking da Save The Children sugira que Portugal reúna as condições necessárias para que a transição para a parentalidade seja efectuada sem dificuldades, os dados demográficos têm demonstrado o contrário.

(Foto: State of the World’s Mothers 2012)

About David Cruz

Demógrafo no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

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This entry was posted on 13 Maio 2012 by in Sociedade.

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