Baralho de Ideias

Quem ganhar uma vaza dará início à seguinte.

A sensação de um «mundo cheio»

O mundo alcançou os 7 mil milhões de habitantes em 2011. Somente 12 anos antes tinha atingido os 6 mil milhões. As projecções mais fiáveis das Nações Unidas apontam para que a população mundial seja de 9 mil milhões em meados do século XXI. Perante este cenário, a comunidade científica levantou a seguinte questão: o planeta possui os recursos suficientes para suportar um aumento de 2 mil milhões de pessoas em 40 anos, assim como a “ocidentalização” dos padrões de consumo da China e da Índia?

Na verdade, a preocupação com a explosão demográfica e o excessivo número de habitantes não é contemporânea. No final do século XVIII, Thomas Malthus alertava para a impossibilidade dos recursos e bens alimentares acompanharem o crescimento da população. Na década de 1970, face ao aumento exponencial do número de habitantes nos países em desenvolvimento, receava-se o agravamento da pobreza e o esgotamento dos recursos (não renováveis). As inquietações em questão foram legitimadas, pois a segunda metade do século XX revelou-se como o período mais extraordinário da história demográfica. A população mundial duplicou em apenas 39 anos, ou seja, passou de 3 mil milhões em 1960 para 6 mil milhões em 1999. Contudo, não se verificou o cenário catastrófico, pois a produção alimentar aumentou a um ritmo superior ao da população, os níveis de pobreza diminuíram significativamente e os recursos não se esgotaram. As previsões desvalorizaram o papel dos mercados, a globalização e o potencial das inovações tecnológicas.

Evolução da população mundial e projecções

O desafio que se coloca nas próximas décadas não é comparável ao fenómeno ocorrido na segunda metade do século XX, onde a população aumentou em 100%. Para os próximos 40 anos prevê-se um incremento de 30%. O ritmo de crescimento populacional está a abrandar, devido ao declínio acentuado da natalidade nos países em desenvolvimento.

A sensação de um «mundo cheio» que reproduz preocupações com a sustentabilidade demográfica e ambiental deve-se provavelmente ao fenómeno da urbanização. No final da década passada, a população que reside em áreas urbanas ultrapassou a que vive em áreas rurais. De resto, prevê-se que em 2050, aproximadamente, 70% da população mundial resida em cidades. Não se trata necessariamente de uma tendência negativa, pois as economias de aglomeração desempenham um papel fundamental no desenvolvimento humano. Inclusive, uma ocupação populacional mais concentrada e menos dispersa pelo território asseguram uma gestão mais equilibrada dos recursos. Em suma, somos 7 mil milhões mas há espaço para mais.

(Foto: Martin Roemers)

About David Cruz

Demógrafo no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.

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This entry was posted on 1 Maio 2012 by in Sociedade.

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