Baralho de Ideias

Quem ganhar uma vaza dará início à seguinte.

Contabilidade de Custos|Analítica|Gestão – Sistemas de Custeio

Há umas décadas atrás os custos representavam tudo o que os produtos/serviços tinham custado, o que pressupunha que os custos eram necessária e simultaneamente: Completos. Com a evolução da actividade empresarial, colocaram-se aos gestores importantes tipos de opções, quanto aos Sistemas de Custeio:

  • Custos Completos
  • Custos Parciais
    • Variáveis
    • Fixos
  • Custos Reais
  • Custos Previsionais

 A esta visão multi-dimensional designada por “concepção multi-dimensional da contabilidade de gestão”, podemos definir três critérios:

1. Conteúdo:

  • Custos Completos
  • Custos Parciais:
    • Variáveis
    • Fixos

 2 . Momento do cálculo:

  • Custos Reais, Históricos ou Comprovados
  • Custos Pré-determinados ou Previsionais

 3. Campo de aplicação reclassificação dos custos por natureza da contabilidade geral, em:

  • Produto ou Encomenda
  • Centro de Responsabilidade
  • Funções da Empresa

SISTEMA DE CUSTEIO COMPLETO – neste sistema todos os custos são introduzidos no circuito contabilístico analítico. Ou seja, o conjunto dos custos variáveis e fixos são encaminhados até ao CIPV.

SISTEMA DE CUSTEIO RACIONAL – Quando se considera, em determinadas circunstâncias, que o sistema de custeio completo não satisfaz as exigências de uma contabilidade moderna, o sistema de custeio racional visa “reajustar” os custos completos de forma a que eles sejam representativos das condições de exploração, ou seja, este sistema suprime a incidência da variação do volume de actividade sobre os custos. O seu objectivo é tornar a evolução dos custos independente da variação do nível de actividade.

SISTEMA DE CUSTEIO VARIÁVEL – Trata-se mais de um método de gestão do que um método contabilístico, propriamente dito, que pretende dar resposta às múltiplas necessidades de gestão. Neste sistema apenas os Custos de actividade (variáveis) são encaminhados até ao CIPV e todos os custos de estrutura do período (fixos) devem ser suportados pelos produtos vendidos.

Fonte informação: Baseado no livro de Contabilidade de Gestão de Caiado, António C. Pires

Esquema resumo do cálculo do Custo do Industrial de Produtos Acabados de acordo com cada um dos Sistemas de Custeio:

Legenda:

  • AN – Actividade Normal, Capacidade Normal, Produção máxima possível face à capacidade da fabrica
  • AR – Actividade Real, Produção Real
  • CF IND – Custo Fixo Industrial
  • CIPA – Custo Industrial do Produto Acabado
  • CINI – Custo Industrial não Incorporado
  • CT – Custos de Transformação (englobam MOD+GGF)
  • CV IND – Custo Variável Industrial
  • GGF – Gastos Gerais de Fabrico
  • GGF f - Gastos Gerais de Fabrico fixos
  • GGF v - Gastos Gerais de Fabrico variáveis
  • MOD – Mão-de-Obra Directa
  • MOD f – Mão-de-Obra Directa Fixa
  • MOD v – Mão-de-Obra Directa Variável
  • MP – Matéria-prima
  • PA – Produção Acabada
  • Qpa – Quantidade de Produção Acabada
  • SCR – Sistema de Custeio Racional
  • SCT - Sistema de Custeio Total
  • SCV - Sistema de Custeio Variável

Demonstração de Resultados de acordo com cada um dos Sistemas de Custeio:

Legenda:

  • AN – Actividade Normal, Capacidade Normal, Produção máxima possível face à capacidade da fabrica
  • AR – Actividade Real, Produção Real
  • CA – Custo Administrativo
  • CD – Custos de Distribuição
  • CF – Custos Financeiros
  • cf – Custo Fixo unitário
  • CIPV – Custo Industrial dos Produtos Vendidos
  • CINI – Custo Industrial não Incorporado
  • cv – Custo Variável unitário
  • MB – Margem Bruta
  • MIND – Margem Industrial
  • ML – Margem Líquida
  • Qpa – Quantidade de Produto Acabado
  • Qv – Quantidades Vendidas
  • RAI – Resultado Antes de Imposto
  • RO – Resultado Operacional

TS

Sobre TANIA SARAIVA

Profissão: - Gestora de Mercado na Portugal Telecom - Assistente Convidada no ISCAL Educação: - Mestrado em Contabilidade no Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa - Licenciatura em Gestão no Instituto Superior de Economia e Gestão

26 comentários a “Contabilidade de Custos|Analítica|Gestão – Sistemas de Custeio

  1. Ana Pereira
    27 Novembro 2012

    Olá Tania… muito bom dia… gostava só de lhe perguntar o que significa as inicias SCT, SCV e SVR que estão no modelo de demonstração de resultados por funções….

    agradeço resposta , antes de quinta feira dia 29, pois tenho que apresentar um trabalho nesse dia..

    desde já um muito obrigado pela informação exposta neste site, pois ajudou-me imenso…

    continuação de um bom dia,
    Ana Perera

    • TANIA SARAIVA
      27 Novembro 2012

      Olá Ana,

      As iniciais correspondem aos 3 Sistemas de Custeio:

      1. SCT – Sistema de Custeio Total (também conhecido como Absorção ou Completo)
      2. SCV – Sistema de Custeio Variável
      3. SVR – Sistema de Custeio Racional

      Estou disponível para qualquer dúvida.

      Cumps,
      TS

  2. Santos
    28 Novembro 2012

    Olá Boa noite, só uma questão:

    - quando calculamos os vários custeios, nos CA,CD e CF calculamos com os custos totais de cada um, ou por exemplo no sistema variavel, o CA é o custo variavel administrativo ou o custo total administrativo.

    Obrigado e desculpe o incomodo.

    Cumps

    • TANIA SARAIVA
      28 Novembro 2012

      Olá Santos!

      A diferença entre os Sistemas de Custeio assenta na forma como eles imputam os custos industriais, se é tudo custo do produto ou se há uma componente (C. Fixos Industriais) desse custos que é custo do período, mas não do produto. Assim, todos os custos não industriais (CA, CD e CF) não são diferentes consoante o sistema.Como são custos do período, o seu valor tem de estar totalmente reflectido na DR’s, seja pelo S. Total, S. Variável ou S. Racional.

      Cumps,
      TS

  3. Paulo Vasco Machava
    20 Abril 2013

    Bom dia. Os contudos aqui abordados estam com clareza. Contudo, tenho por colocar duas questoes para ter apoio. Sendo as seguintes:
    1. Gostaria de saber se o transporte da Materia prima faz parte ou nao dos GGF?

    2. Que diferenca existe para o calculo de Custo Industrial pelo Sistema de Custeio Total e Variavel, com a imputacao multipla dos GGF?

    • TANIA SARAIVA
      20 Abril 2013

      Olá Paulo,

      Em relação ao custo de transporte das MP, devemos em primeiro lugar validar se é a cargo da empresa e se sim, então deverá acrescer ao valor da MP. Isto é, o valor das MP consumidas será igual a: Ei MP + Custo Compras (Valor das Compras + valor do transporte + outros encargos – descontos comerciais) – Ef MP. Os custos de transportes relacionados com MP, não devem ser considerados GGF.

      No que concerne aos sistemas de custeio, o que difere entre eles é o cálculo dos custos de produção, onde no SCT considera-se todos os Custos Industriais (MP+MOD+GGF) variáveis e fixos e no SCV só entram os custos variáveis industriais, os custos fixos industriais neste sistema são considerados custos do período e levados directamente a Demonstração de Resultados (DR’s) numa rubrica de Custos Industriais não Incorporados (CINI).
      Assim, mesmo que os GGF sejam repartidos com base num critério de imputação múltipla, o que difere é saber quais os GGF variáveis e quais os fixos.

      Exemplo de GGF com repartição múltipla:
      - No mês em análise apurou-se um custo de Mão-de-Obra Indirecta (MOI) de 10.000€ e é repartida em função da Mão-de-Obra Directa;
      - Apurou-se de Materiais Diversos (MD) um custo de 20.000€, repartidos em função da MP consumida.

      Temos aqui 2 exemplos de custos indirectos de produção (GGF) e que cada um deles tem um critério de imputação específico (imputação múltipla). Contudo, podemos assumir que tipicamente a MOI é um custo fixo e os MD são variáveis em função da produção.

      Logo, no SCT no cálculo do custo de produção (CIPA) entrariam todos os custos e no SCV os MD fariam parte do CIPA, mas a MOI iria directamente para a DR’s na rubrica CINI, como custo do período.

      Qualquer questão adicional não hesite!

  4. rodrigo
    30 Junho 2013

    ola, sera que me podia dar uma luz sobre as diferenças de imputaçao e orçamentos

    • TANIA SARAIVA
      30 Junho 2013

      Olá Rodrigo,

      Quando fala em diferenças de imputação está-se a referir à imputação dos Gastos Gerais de Fabrico ou Custos Indirectos?
      Orçamentos – consegue-me especificar quais as suas dúvidas? Se é a lógica de construção de algum dos orçamentos ou se quer perceber a sequência dos Orçamentos?

      Cumps,
      TS

  5. Alexandre
    30 Junho 2013

    Boa Tarde, Dona Tania, tenho apenas uma questão em relação ao nome dos sistemas de custeio, e gostaria de saber se o seu SCT ( sistema custeio total) se é o mesmo que o SCTC (sistema de custeio total completo). Só para perceber se é tudo uma questão de português ou se há diferenças?

    cumps,

    • TANIA SARAIVA
      30 Junho 2013

      Olá Alexandre,

      é apenas uma questão de português, O Sistema de Custeio Total é igual a Completo.

      Cumps,
      TS

  6. Gregório CAPITANGO
    5 Setembro 2013

    Cutri das dicas, muito simples mas abrangente. Obrigado

    • TANIA SARAIVA
      5 Setembro 2013

      Olá Gregório,

      Obrigada, espero que ajudem!

      Cumps,
      TS

  7. Raul Correia Lima
    5 Setembro 2013

    Olá, muito boa tarde.
    Tenho dificuldades sempre que me deparo com prestações recíprocas onde uma das secções auxiliares faz a repartição em percentagem. . Caso concreto : ” A empresa Jota tem a fábrica organizada em secções principais e auxiliares ou de apoio, entre as quais a secção de Prensas cuja unidade de imputação é a Hm. Por outro lado, a secção de Gastos Comuns da Fábrica reparte os gastos em percentagem dos gastos directos cabendo à Prensas 20% e à Manutenção 10%. Em certo período, a secção Prensas teve de gastos directos 75.500,00€ e trabalhou 200 Hm, a secção de manutenção teve de gastos directos 36.500,00€ e trabalhou 900Hh das quais 350 foram aplicadas em Prensas e 60 foram aplicadas na reparação de um veículo afeto a Gastos Comuns da fábrica, a qual teve de gastos directos 70.100,00€. No Período o custo de cada Hm é de, aproximadamente . ?
    Poderá fazer o favor de me ajudar a ver como se chega ao resultado?
    O meu obrigado
    Raul Lima

    • TANIA SARAIVA
      6 Setembro 2013

      Olá Raul,

      A tua dúvida é pertinente e muitas pessoas se baralham por ter o símbolo %, mas a ideia é tratá-lo como se fosse Horas (homem ou máquina). O raciocínio é o mesmo!
      Pegando do teu exemplo e havendo prestações recíprocas entre as Secções Auxiliares Gastos Comuns e Manutenção temos:

      GC = 70.100 + 60Hh = 100%
      Manut = 36.500 + 10% = 900Hh

      =

      GC = 701 + 0,60Hh = %
      Manut = ——

      =

      GC = 701 + 0,60Hh = %
      Manut = 36.500 + 10x(701 + 0,60Hh) = 900Hh

      =

      GC = —–
      Manut = 36.500 + 7.010 + 6 Hh = 900Hh

      =

      GC = —–
      Manut = 43.510 = 894Hh

      =

      GC = 701 + 0,60x(48,67) = %
      Manut = Hh = 48,67€

      =

      GC = % = 730,20€
      Manut = Hh = 48,67€

      Atenção: valores calculados no excel, sem arredondamentos. Os resultados podem divergir se utilizarmos arredondamentos.

  8. tiagofonseca
    14 Outubro 2013

    ola boa tarde

    gostaria de saber se podia me dizer mais simples as diferenças dos 3 custeios sff.

    obrigado

    • TANIA SARAIVA
      16 Outubro 2013

      Olá Tiago,

      de uma forma muito muito simplificada a grande diferença entres os 3 sistemas é a forma como encaram os custos de produção, nomeadamente no que diz respeito aos Custos Fixos.

      Para o SCTotal é considerado custo do produto
      Para o SCVariável é considerado custo do período
      Para o SCRacional parte do CFixo (correspondente à Capacidade utilizada) é do produto e o restante (capacidade não utilizada) é custo do período.

      Cumps,
      TS

      • tiagofonseca
        17 Outubro 2013

        ola, olhe muito obrigado. vai dar uma grande ajuda no exame

        cumps

  9. paulo alexandre
    27 Outubro 2013

    O que significa custo de estrutura e custo de estrutura industriais e não industriais

    • TANIA SARAIVA
      28 Outubro 2013

      Olá Paulo,

      Os custos de estrutura são mais conhecidos por Custos Fixos. Dentre eles, temos os industriais (Mão-de-obra indirecta, materiais diversos, consumos da fábrica (água, electricidade, …), depreciações das máquinas da fábrica, seguro do edifício da fabrica, etc.) e os não industriais.

      Cumps,
      TS

  10. Octavio Joao Baptista
    12 Novembro 2013

    Ola Tánia!

    Poque é que quando a Produção=Venda – (SCT=SCR=SCV) é constante; P>V (SCT>SCR>SCV) é descrescente e P<V – (SCT<SCR<SCV) é crescente.

    Saudações

    • TANIA SARAIVA
      12 Novembro 2013

      Olá Octávio,

      A principal diferença entre os sistemas ocorre quando há Variação das existências e se reparar é exactamente isso que me descreve no comentário.

      Qdo não há Variação de Existências (PA = PV) – os sistemas apresentarão resultados idênticos;
      Qdo as Existências Iniciais são superiores às Existências Finais (PA > PV);
      Qdo as Existências Finais são superiores às Existências Iniciais (PA V o resultado do SCT será sempre o maior e quando a PA < V o resultado do SCT será sempre o menor. Já o SCR é sempre o que apresenta os resultados intermédios.

      Cumps,
      TS

  11. Brito
    29 Março 2014

    porque é que uma empresa opta pela
    utilização do Sistema de Custeio Racional?

    • TANIA SARAIVA
      31 Março 2014

      Olá Brito.

      Actualmente o Sistema de Custeio Racional é pouco utilizado nas empresas para calcular o custo de produção. Contudo, no SNC a imputação dos gastos gerais de fabricação fixos aos custos de produção é baseada na capacidade normal, isto é, só são levados aos custos dos produtos os gastos gerais de fabrico fixos correspondentes à capacidade efectivamente utilizada e assim, os produtos não são onerados por baixa de produção ou ociosidade.

      Se se verificar que a produção efectiva é superior à actividade normal deverá ser usado o Sistema de Custeio Total!
      Desta forma e, em princípio, o registo inicial dos inventários de produtos acabados deve ser feito ao custo racional.

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This entry was posted on 27 Junho 2012 by in Contabilidade.

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